13 de maio de 2011

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Toda Criança Quer
Palavra Cantada
Composição : Péricles Cavalcanti

Toda criança quer
Toda criança quer crescer
Toda criança quer ser um adulto

E todo adulto quer
E todo adulto quer crescer
Pra vencer e ter acesso ao mundo

E todo mundo quer
E todo mundo quer saber
De onde vem
Pra onde vai
Como é que entra
Como é que sai
Por que é que sobe
Por que é que cai
Pois todo mundo quer...


A Duda é uma destas crianças que muito quer e muito consegue!

Estes brinquedos, meus alunos criaram com sucatas algum tempo atrás. A atividade era referente ao projeto Comunicar é aprender. A Duda participou e até foi conhecer meus alunos em minha sala de aula em 2004.


Nossos alunos reciclam pets e fazem pufs!














Por uma educação com significados

Mª DE FÁTIMA M. BAUMGÄRTNER
(Especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional)
Ao longo da vida, podemos identificar talentos e valores que se encontram na sociedade, embora todos os indivíduos dependam de incentivo, para que ousem brilhar nos espaços que lhe são de direito. Bem sabemos que nas escolas há o privilégio de um espaço, onde brota no cotidiano a diversidade de saberes. Cabe aos órgãos competentes da sociedade manter o foco principal - educação - , que representa fator essencial para que a população realmente receba a mediação e o apoio de que tanto necessita.

Sabe-se que a escola representa um espaço onde o conhecimento é construído, assim como o ambiente familiar é muitas vezes responsabilizado pela educação dos membros que a formam. Porém, jamais devemos esquecer que nenhuma destas duas entidades sozinhas poderão dar conta de aprimorar conhecimentos ou mediar a educação dos indivíduos. É a união de ambas que permitirá o sucesso tanto no que diz respeito ao aprendizado, quanto à mudança comportamental dos mesmos.

Constata-se então que todos estamos envolvidos num mesmo processo de transição, o qual permite encaminhar as gerações futuras ao propósito de pensar e agir de forma que atenda ao bom convívio que norteia a sociedade. Devemos estar atentos às mudanças, aceitando as diferenças e percebendo-as como o referencial que sintetiza os valores de cada ser humano.

A sociedade deve valorizar os seus cidadãos, não apenas por aquilo que fazem, mas por aquilo que já não são capazes de realizar, por determinados motivos. Quando delegamos uma tarefa ao outro, sabendo que ele não tem conhecimento sobre o assunto, devemos monitorá-lo do início ao término de sua atividade, pois se ele errar terá o suporte de que necessita. Isto vale para todas as idades.

Sabemos que todo erro é uma tentativa de acerto e aquele que erra, demonstra que quer aprender. Porém, nem sempre o erro é visto desta forma. Muitas vezes, ele é considerado como incompetência, ou falta de interesse em demonstrar que se é capaz.

Indivíduos críticos, competentes e conscientes de seus direitos e deveres colaboram com aqueles que apresentam déficit na execução de suas tarefas, apontando o caminho e mostrando-se aptos ao companheirismo e com seu empreendedorismo e liderança.

Como já ouvimos e sabemos, não somos os mesmos durante o dia e nem seremos os mesmos a vida toda. Urge a necessidade de quebrar a resistência, livrar-se das amarras e reconstruir o saber. Cabe aos educadores (família, escola e sociedade) a função de facilitar este processo flexível, que só acontece quando se atribui um significado ao que se vê, se ouve ou se diz, em suma, se vive.


POR UMA EDUCAÇÃO DE QUALIDADE


Mª DE FÁTIMA M. BAUMGÄRTNER

Todos os meios de comunicação estão mostrando a realidade da educação atual. Sabemos que nada muda de repente, mas se ficarmos esperando alguém fazer algo, é que nada mudará, ou seja, não basta mostrar a situação, há que haver comprometimento para estabelecer um foco de atuação e primar por ele. Não dá pra ficar brincando de educar, ou falamos a mesma linguagem e agimos da mesma forma, ou perderemos crédito em nossas funções, sejam elas quais forem. O educando precisa encontrar um tripé onde se apoiar, mantendo este suporte por toda a sua vida. Este tripé é formado pela referência no educador, a disciplina mediada e o vínculo afetivo estabelecido numa relação de confiança. Os três fatores são distintos entre si, mas se complementam, ou seja, um não existe na ausência do outro. O educando está sempre testando o professor, os pais, ou outra pessoa que o eduque.

O motivo é um só, a busca do sentido para suas ações futuras. É como se ele sempre perguntasse, se poderia ou não tomar certa atitude. Cujo ato para o adulto, acontece num determinado tempo de ação, e se denomina erro. O que o faz pensar assim, é o fato de ter vivido certas experiências. Não há receita para tudo. Por isso nem sempre dá certo o que se faz. Mas não se pode desanimar, cada situação pede uma atitude, pois todos somos diferentes.

Ao nos depararmos com situações indesejáveis, nem sempre somos prudentes ou pacientes como deveríamos ser. Somos impulsivos ao agir e por fim, incapazes de perdoar erros de percurso em nosso cotidiano, muitas vezes oriundos de fatores bem mais complexos do que uma questão de momento. Quando um problema se instala, muitas vezes a primeira atitude que temos é julgar e criticar, quando na verdade o que se deve fazer, é diagnosticar para descobrir o porquê de tal acontecimento. O educando em primeiro plano é ser humano em desenvolvimento, tal qual outra pessoa, apenas diferindo na idade, tanto cronológica quanto mental. Partindo deste pressuposto, fica fácil perceber que noção de limite deve se dada todo o dia, seja em qualquer ambiente em que estejamos inseridos, por todos aqueles que se encontram no mesmo. Toda rebeldia é um pedido de socorro, que nem sempre é compreendido.

Tudo isso é repetitivo, dizem, mas é assim que se alcançam objetivos, com persistência. Ao invés de ficar na platéia como expectador, vamos unir forças em prol da educação. O que está acontecendo, é que muitos profissionais estão atuando em áreas desconhecidas, tentando ¨descobrir como fazer¨ e muitos especialistas são ignorados por questões diversas. Enquanto isso acontecer, nada vai mudar. ¨Ninguém ama o que não conhece e nem dá o que não tem. Se alguém faz o que desconhece, é apenas porque lhe convém.¨ Percebe-se então que há uma falta de estrutura e planejamento, por parte de uma equipe gestora que oriente e capacite profissionais visando um ensino de qualidade. Já os pais muitas vezes, não acreditam na capacidade dos filhos. Então projetam para eles um futuro que nunca chega, pois cada indivíduo, tem suas habilidades e desejos, que aos poucos vão determinando uma trajetória de sucesso ou de fracasso. Cabe aos pais apenas orientá-los neste processo cotidiano e facilitar o acesso aos mecanismos de ação ou de defesa diante das diversidades de atitudes que serão tomadas por eles.

Tanto os educadores quanto a família devem dar tempos e espaços aos educandos para que o mesmos exercitem seus mecanismos cognitivos, podendo assim apropriar-se da autonomia necessária para ¨viverem experiências futuras¨. Há quem diga que não há futuro. Imagine alguém ter como mediador alguém que não acredite no futuro. Seria incoerente educar, pois educação é propósito futuro, pressupondo que podemos mudar preparando o indivíduo para uma sociedade melhor. Se apenas educamos para o hoje, então não acreditamos na sucessão dos dias. Mas não pensemos no futuro com sendo nosso. É preciso desprender-se dele. Pois ele não nos pertence, nós é que pertencemos a ele. E isso não quer dizer que ele não exista. Como uma mulher grávida poderia olhar para sua barriga que se projeta para frente dando vida ao um novo ser, sem acreditar no amanhã… Eis aí o milagre da vida que projeta o futuro. Ela cria o novo ser que deixa como extensão da sua vida passada. O filho nasce para o futuro… Filho do universo. Os pais não devem pensar no filho, como forma de propriedade. O filho vem ao mundo para viver sua própria vida. O filho vem através dos pais e não para os pais. É dolorido admitir isso. E há quem pense que sendo assim, não tem responsabilidade para com seu rebento. Mas na verdade quando o filho nasce, surgem responsabilidades para toda a vida.

A vida é aprendizado e a teoria deve ser associada a ela. Cada ato cometido por menores nos faz refletir. Onde andam seus pais, quem foi seu mestre, diga-me com quem andas e dir-te-ei quem és… Porém, isso não é suficiente. Dar atenção, amor e limite, é tudo. E é tudo o que eles precisam. Não adianta só escrever e falar sobre estes assuntos, mas quem escreve e fala sobre isso, demonstra que já está fazendo algo.

“Há aqueles que dizem que sabem e nada fazem.
Há aqueles que fazem sem saber.
Há aqueles que constroem o saber com aqueles que fazem”.
Como o indivíduo aprende?

Cada indivíduo tem seu ritmo para desenvolver-se, ao qual denominamos de tempo. Mas que tempo é esse? Se ignorarmos este tempo, qualificando-o como particularidade de cada indivíduo, sem intervir no processo de aprendizagem, comprometemos assim, todo o seu potencial criador. Cabe ao educador, entender e buscar formas de mediar o conhecimento e diversificando as atividades, de acordo com as dificuldades ou habilidades de cada aprendiz. Faz-se necessário o conhecimento de cada dificuldade encontrada. É neste momento que a mediação competente tem sua importância. Faz-se necessária uma intervenção diagnóstica por parte de especialistas, para detectar possíveis causas que estejam inviabilizando o processo de apropriação da aprendizagem como um todo.


Por uma alfabetização com significados

(M. de Fátima M. Baumgärtner)

Quando deparamos com o insucesso, a evasão escolar, a repetência e a defasagem/idade/série de nossos alunos, ficamos muitas vezes decepcionados. Nesta sociedade da informação tecnológica, na qual tudo se descarta e atualiza cotidianamente, muitas tentativas são frustradas, pois muitas vezes não há apropriação do conhecimento por falta de sentido ao que é oferecido como produto da educação propriamente dita. O que acontece, de fato, é que a criança chega à escola cheia de desejo de aprender e de repente perde o gosto pelos estudos. Isto acontece porque ela não entende o processo ensino-aprendizagem sem sentido prático. A forma como acontece este processo vai permitir avanços ou retrocessos em seu desempenho escolar. Olhando para nós mesmos, poderemos responder a estas questões. Quando a criança chega à escola, espera encontrar um líder, alguém em quem possa confiar, espera encontrar no coração da escola um ninho onde se abrigar. Porém, isto só acontece quando o professor estabelece um vínculo. Constata-se na dialética diária que o professor não passa pela vida de uma criança, mas sim, ajuda a formá-la. Não põe sonhos na mente de um adolescente, ajuda a realizá-los. Não transmite o conhecimento, facilita a construção do mesmo. Não dá aulas, cria com seus alunos um ambiente de aprendizagem. Enfim, não dá notas, mas, avalia cada postura adotada diante daquilo que lhe é proposto. Fazer a diferença na educação não é fazer tudo outra vez a cada ano. É fazer diferente aquilo que todos já fizeram e não deu certo. O diferencial está no potencial de cada um, mas que nem sempre é valorizado. Fica explícito aqui o entendimento de não haver distância entre avaliação, afetividade, teoria, planejamento coletivo, gestão democrática e acima de tudo um significado em tudo o que se realiza. A gestão pedagógica de uma escola focada na alfabetização, na construção do conhecimento e da autonomia dos seus educandos, perpassa pela responsabilidade do resgate das devidas funções atribuídas aos profissionais no momento de sua formação, ou seja, todo aquele que escolher a nobre função de professor, deve realmente acreditar que é capaz de transformar as gerações Partindo do pressuposto de que a biblioteca é o coração da escola, o que faz pulsar o corpo da escola é a leitura. Cabe aos educadores permitir que ela aconteça. Assim como na leitura dos livros, o educando fará a leitura de mundo que o rodeia. O cotidiano deve voltar a ser interessante, a sucessão dos dias, sem a exaustiva cultura do "espetáculo" a qualquer custo. É preciso mudar o percurso do olhar. Ainda há tempo, de plantar e colher. Basta preparar o chão, escolher a semente e semear na hora e lugares certos. “O educando sabe que sabe, mas precisa de um mediador para entender aquilo em que acredita. Pois é na interação que acontece a verdadeira compreensão, daquilo que se diz conhecimento.”

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